Chegámos ao fim, aparentemente. Será mesmo o fim de tudo? Espalhar-nos-emos, nada será igual às experiências vividas em conjunto, partilhadas sob o mesmo tecto. Nada mais terá tanta essência como dantes, aquele calor peganhento que nos mantinha seguros e constantes do que tínhamos, de onde pertencíamos. Seremos, a partir de agora, grãos de areia espalhados por uma golfada de vento indeciso, inevitável, sem certeza de onde há-de deixar cada um. Seremos obrigados a conformar-nos com o facto de que o que nos espera não é a doce preguiça que costumávamos adoptar enquanto revirávamos os olhos aos livros num efémero esgar. Seremos obrigados a franzir a testa, a mover o olhar de um passado fácil para um futuro próximo, com acréscimo de cargos e fardos e medos e lágrimas e diferentes oportunidades, oportunidades tais que nos fugirão entre os dedos se o suor se recusar a escorrer pela nossa testa. Agarrar-nos-emos, então, uns aos outros antes do passo final de direcção variável, antes de toda a nossa realidade acolhedora se tornar na intensa preparação de um futuro exigente. Agarrar-nos-emos, pois, como que uma despedida dos tempos de infância; agarrar-nos-emos, como que um sorriso, um incentivo confiante transmitido entre todos; agarrar-nos-emos, como que um beijo de boa sorte. Não será este o nosso adeus, será apenas um pionés solenemente espetado num quadro de lembretes, para o qual olharemos à medida que a saudade dos momentos idos nos chove pelos olhos. Meus amigos, a marca está lá, no tal quadro de lembretes decorado à vontade de cada um. Até sempre, e boa sorte a todos na corrida extenuante pela felicidade que, um dia, nem que por breves segundos, todos iremos alcançar.
P.S.: E um dia encontrar-nos-emos de novo, quem sabe, junto de uma fogueira, a apreciar o lume e o facto de estarmos ali. Vivos. Juntos.
Um beijo,
Beatriz Silva.
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